No recreio caem sâmaras,
dragõezinhos a voar.
Rodam, rodam como câmaras,
quem me vem encantar?
Tatuzinhos fazem contas,
helicóptero ou dolitá,
A-B-soletram das pontas
que no chão lá livre está...
Sempre a letra T,
e desde a primária
o meu destino ficou selado
num tampo de secretária
onde ela se senta ao lado...
sem eu conseguir deixar de reparar
que mais perto que alguma vez antes.
Primeiro luz loira, comigo a corar
o polvilho floral, chau consoantes.
T, Tati, tutti.
Depois sombra morena gira, gira
até cair anemocoria no secundário.
Lépida lepidóptera na mira,
mas eu nem dela imaginário.
Cara e coroa, letra T,
bem à medida que aprendia a ler,
aquele pseudoplátano vinha ditar
o mistério indeiscente de não ter
as asas membranosas de um par...
Que começa e acaba na letra T. Mal sabia...
que posso amar, não posso amar-te
antes de nos cruzarmos neste curto herbário:
tudo preparatório e especificar-te, conjugar-te
seria distanciar-te, pôr-te em Marte.
Até que um dia, Teresa, foste tu o abecedário.
quarta-feira, 10 de setembro de 2025
Letra T
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