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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Ruptura Adolescente

Ruptura Adolescente
 
Sentimentos que passam à velocidade da luz
Na berma de uma estrada armadilhada por lobos solitários.
É a certeza da vivência num lugar errado
Para a incerteza da existência de um lugar correcto...

Confidências que oiço de cada vítima rendida à carruagem mais curta
Na borda de um precipício que força a sua própria queda.
É fitar as estrelas numa melancólica noite de Verão
Para saber que o seu significado puro fugiu com a infância...

Fluxos de cartas agorafóbicas que se esquecem do destinatário
Numa aresta baloiçante em que as letras sucumbem perante a multidão.
É suster a respiração por qualquer cavalo branco galopante
Para acreditar que o ar do oceano se converterá colorido...

Réplicas de sismos que prometi a mim mesmo olvidar
Numa cidade de um só homem em que o herói é derrotado pela sombra.
É querer viver por um motivo maior do que eu
Para encontrar um paraíso terreno de realização!

Murmúrios de um Outono que embala segundas oportunidades
Numa fortuita folha dourada a quem o vento dá asas.
É a ânsia de fechar os olhos e perder a memória de todas as páginas
Para ganhar a visão libertadora de um recém-nascido!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

És O Paradigma Da Ficção Mais Cruel

És O Paradigma Da Ficção Mais Cruel

És a hipocrisia do teu choro glacial,
A dissimulação dos teus em falso passos.
Uma beleza incontornável de carmim
Que esconde o veneno mais mortífero.

És o materializado doce amargo
Servido num prato de duas faces.
Um futuro adivinhado pelo passado,
Supra-presságio cego de ilusão.

És o vício toldado ao pestanejar os olhos,
Uma verdade oculta por uma íris opaca.
O deslumbre dos teus lábios politeístas,
Culto eterno expoente máximo de encanto.

És o convite enigma, perfeição paradoxal,
A sedução de um subtil e fraudulento toque.
Toda a falsidade que baila pelo mundo
Num só corpo infectante de mentira.

És a anatomia-mor da realidade.
Uma inocência fingida inventada
Por uma narrativa profetizada
De uma vitória a ti destinada...

é que eu

Sou um vampiro de filmes noir,
Um meme fatale que estava
Mesmo a pedi-las para escrevinhar
Ideias batidas de um letrado com clava.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sou Uma Ilha Deserta

Sou Uma Ilha Deserta

Estorvo rodeado pela vastidão do oceano
Avultam-se sussurros no ombro subconsciente.
Tudo menos sou que uma ilha deserta e por dentro...
Um ser que goteja o desespero de uma morte viva.

Dois pés funambulistas na ténue linha da sanidade
A pronto do pior, um ego que me quer fundo profundo.
A esperança sepultada, porém bípede até à eternidade
Uma face tão fácil num grito mudo e moribundo.

Acaba lúgubre o meu resquício ao beber o abismo
E faço preces por costas em que me possa apoiar,
Enquanto anseio a terra prometida depois do sismo.
Das cinzas, ares materiais, uma fénix para acreditar:

“Cerro os olhos na pluma que me conduz,
Deixando a evidência na subida da mente.
Lá no auge, um almejado farol radiante de luz!
Logo ali, um fogo que me cegue intensamente!"