terça-feira, 26 de abril de 2011

Hipnose Da Apoteose

Hipnose Da Apoteose
  
Mesas estendidas de rumor
E líquidos instigantes de furor.
O início tilintante assentes desta vez,
Brindado à hecatombe que evitas,
Cresces auras para fora do que vês.
Até que no cubo de gelo culminas…


Todavia antiga ao fundo, habita a louca lua cheia,
Cabine onde provaste a nudez de julgamento:
És um penso rápido alheio ao sangue derramado no seio
E bailas mil vozes com língua no mesmo esquecimento.


Numa cintura mundana, um universo te ascendes.
Breve exclusivo, magnificente monumento disforme,
Um cemitério da ordem, palco a contemplar baixas gentes.
Este caleidoscópio de senciência que com auroras dorme…
Deus! Quando te é táctil a sua silhueta resplandecente…


Estrelas cadentes sobem,
Palavras pendentes somem.
Dissipa-se a imunidade do desespero,
Emancipa-se a gravidade do sentido.
O abstracto a concretizar-se nos demais…
Mas enquanto a paranóia não são outros,
O eu ainda são eles quando não a têm…

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

És O Paradigma Da Ficção Mais Cruel

És O Paradigma Da Ficção Mais Cruel

És a hipocrisia do teu choro glacial,
A dissimulação dos teus em falso passos.
Uma beleza incontornável de carmim
Que esconde o veneno mais mortífero.

És o materializado doce amargo
Servido num prato de duas faces.
Um futuro adivinhado pelo passado,
Supra-presságio cego de ilusão.

És o vício toldado ao pestanejar os olhos,
Uma verdade oculta por uma íris opaca.
O deslumbre dos teus lábios politeístas,
Culto eterno expoente máximo de encanto.

És o convite enigma, perfeição paradoxal,
A sedução de um subtil e fraudulento toque.
Toda a falsidade que baila pelo mundo
Num só corpo infectante de mentira.

És a anatomia-mor da realidade.
Uma inocência fingida inventada
Por uma narrativa profetizada
De uma vitória a ti destinada...

é que eu

Sou um vampiro de filmes noir,
Um meme fatale que estava
Mesmo a pedi-las para escrevinhar
Ideias batidas de um letrado com clava.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Vida Circular, Tempo Arrasador

Vida Circular, Tempo Arrasador

No fundo de um mar de memórias
Todos os momentos se desvanecem.
Caminhos amados descruzam-se,
Flutua o peso do arrependimento.

Na escuridão e agnosia da noite
Destroem-se frios os laços criados.
Passeiam transeuntes as almas sumidas,
Podes sentir o vento a rasgar-se na face.

Trajectórias bifurcantes voltam a colidir
Mas enganos errados demais tardios.
Perecem vacilantes as flores pisadas,
Restam branqueados traços ordinários.

Rápido, o tempo voa, verte e vai-se.
Numa estrada de certeza vertiginosa,
Cada um ruma à solitária última bala,
À inevitabilidade casada ao pôr-do-sol.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sou Uma Ilha Deserta

Sou Uma Ilha Deserta

Estorvo rodeado pela vastidão do oceano
Avultam-se sussurros no ombro subconsciente.
Tudo menos sou que uma ilha deserta e por dentro...
Um ser que goteja o desespero de uma morte viva.

Dois pés funambulistas na ténue linha da sanidade
A pronto do pior, um ego que me quer fundo profundo.
A esperança sepultada, porém bípede até à eternidade
Uma face tão fácil num grito mudo e moribundo.

Acaba lúgubre o meu resquício ao beber o abismo
E faço preces por costas em que me possa apoiar,
Enquanto anseio a terra prometida depois do sismo.
Das cinzas, ares materiais, uma fénix para acreditar:

“Cerro os olhos na pluma que me conduz,
Deixando a evidência na subida da mente.
Lá no auge, um almejado farol radiante de luz!
Logo ali, um fogo que me cegue intensamente!"

terça-feira, 28 de abril de 2009

À Procura De Validade

À Procura De Validade

Ando gasto por etiquetas sem fim
À superfície do que o presente esgotou
Nas montras de um dia voltar a valer
Um corpo dentro do boneco que estou.

Vazio irónico, preenche-me a mente…
No adio de a fazer verbo do “serei” que sou.
Poso (na) saliva vidrada do valor a voltar,
Um bem fora, o mal meu para quem passou.

Usem-me mais, modernos em escadas rolantes!
Sou vosso: comércio necessário da ordem do gratuito.
De mim, solidão que venda as vossas em farsantes,
Para mim, silêncio que vos compre esse horror fortuito.

Abusem-me à náusea, líquidos em portas giratórias!
Sou vosso: ópio de entrada com pés na saída em frente.
Voltem prazos, voltem para sempre e depois do sempre!
Enquanto a promessa de eterno me paliar as memórias...