É preciso é
encarnar uma mosca
na parede do empregador
na rede do coordenador
na sede do legislador
e imaginar como os três,
secularíssima trindade,
mandaram construir a geometria
de uma montanha contra a manha
e pelo bem-comum
deles à porta fechada
enquanto lhes empurramos
a biologia fundida em geologia
só para depois descerem
no escorrega do parque
de manobras de diversões.
É preciso é
imaginar os três
com outros três de uma
empresa, universidade, país
quaisquer a imaginarem
(massajados à mesa)
problemas que não existem
para soluções que consistem
nos ombros deles.
Não imaginar o mito, mas
a mentira que o sustenta do
sistema menos mau dos até hoje
atentados.
Tampouco paginar uma
narrativa em que acabo
eu e não outro
massajado à mesa.
É preciso imaginar
aqueles que imaginam Sísifo feliz
felizes a convencerem-nos
disso e perguntar:
Porque não temos escolha?
(senão a de novas e simpáticas, grandes
pedras cujo peso agradecemos...)
É impreciso é
imaginar que temos de
mirar para o lado
pela vidraça
dum metro
a paisagem néon
só para suportar
o absurdo à frente.
Então, quando o bocejo
embacia a trégua vira
náusea a vista para dentro
e aí talvez pudéssemos...
britar a falta de propósito
em pequenas pedras
que não precisassem de cimo
até restar a calçada que só
pisasse as moscas
já sem termos de as encarnar.
Porque
É preciso agir,
infelizes logo revolta,
que podemos
viver e morrer na horizontal.
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