quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Amanita Mostarda

O meu pijama tinha patos
mas nenhum sabia 
nadar, logo naquela noite que calhou
o meu coelho de peluche chorar 
porque descobriu numa fenda
que era feito de coelho e...
subitamente - que visão de alpinista! -,
Como se eu acordasse bioluminescente
num bosque despenteado pelo vento
onde lá lá lá glossolalia lá
uma coisa pedia-me para a desenterrar
porque já não tinha frio
mas foi-se a ver e tinha
pintinhas de estrelas picotadas
na abóbada como mostarda.
Deu-se-me para comer e fungou:
"Obrigado pelo sangue e o fígado
e a semente que pus em ti".  

Quando desacordei, eles não acreditaram…
Os meus pais disseram que os monstros não existiam.
Mandaram pôr 
uma estrela de papel no tecto
e passei a dormir
debaixo de uma mentira bonita,
                                                    (com a boca cheia de musgo)
como quem enterra uma semente
branca, aquosa e as mãos dele...
cresciam como cogumelos no jardim da porta ao lado.
O meu monstro…
Ensinou-me.
O meu monstro disse que os pais não existiam.  

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